Se você já passou por algum feed de arte 3D nos últimos dez anos, provavelmente viu uma escultura do Guzz Soares sem saber que era dele. O artista paulista, cujo nome completo é Gustavo Soares, construiu carreira fazendo caricaturas 3D de gente famosa e de personagem de ficção, com um tom cômico que quase sempre arranca um sorriso de quem olha.
Guzz trabalha numa fronteira difícil. Caricatura exagera traço para chamar atenção, mas se exagerar demais o rosto deixa de ser reconhecível. Guzz encontra esse ponto de equilíbrio de forma consistente, esticando queixo, inflando bochecha, aumentando testa, sem nunca perder a identidade da pessoa retratada. É um tipo de leitura de rosto que não se aprende só com tutorial de software.
Tecnicamente, o fluxo dele é direto. Escultura em ZBrush, modelagem e render em 3ds Max, pós em Photoshop e After Effects. Nada exótico. O que sustenta o resultado é observação e repetição, não uma pilha de plugins. O portfólio inclui trabalho para DreamWorks Television, Nickelodeon, Meindbender e a Aardman Animations, o estúdio inglês de Wallace e Gromit, o que dá a dimensão de onde esse tipo de habilidade abre porta, o mesmo caminho de outros artistas 3D brasileiros que construíram carreira fora do país.
Vale pensar no que exatamente o Guzz domina. O ZBrush qualquer estudante instala de graça. A habilidade rara é olhar um rosto e saber quais três ou quatro traços fazem aquela pessoa ser aquela pessoa. Quantos anos de desenho de observação estão embutidos numa competência que nenhum software ensina?