Tem uma ironia que eu não consigo largar em Backrooms. O filme da A24 nasceu de um vídeo feito em CG por Kane Parsons, que tinha 16 anos, e quando virou longa-metragem a produção construiu cenários físicos de verdade, com carpete, papel de parede e lâmpada fluorescente. Agora a Roxel Creative divulgou o reel de efeitos visuais do filme, e o que ele mostra é que muito do que parecia set era, na verdade, CG de novo.

O estúdio é comandado por Calvin Romeyn, ex-lead compositor da ILM, que trabalhou como supervisor associado de efeitos visuais no filme inteiro. Backrooms foi o primeiro grande projeto da Roxel, e o reel publicado por ele no YouTube passa pela abertura em estilo found footage, por uma rua de subúrbio com um beco e, principalmente, pela Vertigo Room, um ambiente totalmente digital que é o ponto alto do material. Há também extensões em CG nos corredores construídos pela produção, cenas externas que muita gente provavelmente nem percebeu que eram digitais e trechos de previs e stuntvis, as versões simplificadas usadas para planejar câmera e ação antes da filmagem.

A história de origem, que eu contei aqui quando escrevi que Backrooms nasceu num arquivo de Blender feito aos 16 anos, é a de um jovem que provou que dava para criar um terror enorme sozinho no computador. Hollywood comprou a ideia, gastou com cenário físico para dar peso e textura, e no fim voltou para o computador para fazer o espaço se esticar do jeito que o vídeo original fazia. Para mim isso faz sentido, porque o pavor do filme mora no espaço impossível, e espaço impossível continua sendo trabalho de VFX.

O resultado comercial ajuda a explicar a atenção que o reel recebeu. Lançado nos Estados Unidos em 29 de maio, Backrooms passou de US$ 330 milhões no mundo com orçamento de cerca de US$ 10 milhões, segundo a ABC Audio. Romeyn também apresentou na BCON 2026, a conferência anual do Blender, uma palestra sobre o uso do programa na produção.

O reel não traz a lista de softwares usados em cada plano. A Vertigo Room, vista em sequência ali, ainda dá a mesma vertigem do cinema, mesmo com o wireframe aparecendo por baixo.