171 é o tipo de projeto que testa a paciência de qualquer fã de longa data. Anunciado ainda na década passada como resposta brasileira a GTA, o jogo da Betagames Group já foi adiado tantas vezes que virou piada recorrente em fórum de jogador brasileiro. A versão final está marcada agora para o terceiro trimestre de 2026, e a Alpha de acesso antecipado já está disponível na Steam e na Nuuvem por R$ 59,99.

O enredo acompanha Nicolau Souza, morador de comunidade que tenta levar uma vida correta em meio às ruas caóticas de Sumariti, cidade fictícia inspirada em Sumaré, no interior de São Paulo. Um trailer recente, capturado direto no motor gráfico em Unreal Engine 5, mostrou mudança de tom, ambientação mais séria e um protagonista com construção mais elaborada do que a promessa original de simplesmente copiar a fórmula de mundo aberto americana.
O que sustenta 171 até aqui é teimosia pura de um time pequeno tentando terminar algo que começou décadas de expectativa atrás, mais do que qualquer orçamento de estúdio grande. Isso importa mais agora do que importaria em outro momento, porque a indústria de games está no meio da pior seca de captação em uma década, com demissão em massa e fundo de investimento evitando aposta em estúdio sem tração comprovada. Um projeto brasileiro sobrevivendo tanto tempo sem esse tipo de suporte diz algo sobre resiliência que a planilha de investidor não capta.
A Betagames promete entregar 171 completo neste trimestre, depois de mais de uma década de promessa quebrada. Chegar lá vira prova de conceito para o resto da cena brasileira, de que dá para terminar um projeto ambicioso sem virar estatística de demissão pelo caminho. O jogador brasileiro já perdeu a conta de quantos trimestres esse projeto prometeu e não cumpriu, e o resto de 2026 vai dizer se este é finalmente o que cumpre.