Startup de games levantou cerca de US$ 627 milhões no mundo inteiro no primeiro semestre deste ano, ritmo que projeta o pior total anual em mais de cinco anos. O número é menos de um quarto do US$ 2,82 bilhões captados em 2023 e uma fração pequena do pico de US$ 12,5 bilhões registrado em 2021, no auge da euforia de investimento pós-pandemia.
O dinheiro segue existindo na indústria, só que mudou de endereço. Os maiores negócios de 2025 vieram de fundo de private equity e comprador estratégico, quando comparados com rodada de venture capital para estúdio novo. A CVC Capital Partners colocou US$ 2,5 bilhões na Dream Games, dona do Royal Match, e a Plarium, criadora de RAID Shadow Legends, foi vendida por US$ 620 milhões mais US$ 200 milhões de earnout para a Modern Times Group. É capital pesado indo direto para quem já provou tração no mercado.
A leitura que vem ganhando força entre analista é que 2026 pode ser o primeiro ano em que a indústria de games é movida quase inteiramente por gente já estabelecida, incumbente, comprador e plataforma de criação assistida por IA, em vez de estúdio jovem levantando rodada nova. A mesma lógica que puxou a compra da EA por US$ 55 bilhões para a reta final regulatória se repete em escala menor pelo resto do mercado, franquia provada vira alvo de aquisição, ideia nova sem tração vira estúdio fechando as portas.
Para quem sonha em abrir estúdio hoje, o discurso de montar algo pequeno e esperar um fundo aparecer não bate mais com o mercado real. As três frentes que ainda atraem cheque são infraestrutura que serve o ecossistema inteiro, ferramenta de IA que muda a economia de produção e plataforma que capta valor de comunidade, nenhuma delas parecida com o sonho clássico de fazer um jogo indie e virar hit do dia para a noite.