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Clair Obscur desclassificado do Indie Game Awards após uso de IA

21 de dez, 2025 por Redação MaxRender
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Clair Obscur, Expedition 33 foi desclassificado do The Indie Game Awards por uso de IA generativa. A organização informou que mantém “posição firme” contra IA no processo de indicação e durante a própria cerimônia, e que a confirmação pública do estúdio sobre o uso de IA tornou o jogo inelegível. 

O caso estourou depois de o produtor François Meurisse reconhecer que “usamos um pouco de IA, mas não muito”, declaração que reacendeu suspeitas e levou os organizadores a revisar o resultado. O comunicado final retirou do game os prêmios conquistados na noite, inclusive Jogo do Ano e Jogo de Estreia. 

Com a desclassificação, os troféus passaram aos vice colocados, Blue Prince ficou com Jogo do Ano e Sorry We’re Closed com Jogo de Estreia. A cerimônia é organizada pela equipe do Six One Indie, que agradeceu o feedback da comunidade e reforçou a regra anti IA.

Vale notar que Clair Obscur vinha numa sequência histórica de prêmios, inclusive no The Game Awards, o que já havia provocado debate sobre seu status “independente”. A decisão do Indie Game Awards agora desloca a conversa, menos sobre rótulo indie e mais sobre limites aceitáveis de IA no processo criativo

Há perguntas incômodas que a indústria precisa encarar. O que exatamente conta como IA gerativa, ferramentas auxiliares de código e texto entram nesse pacote, ou só conteúdo final, imagem, áudio, voz, usado no produto, como verificar declarações de estúdios em premiações que dependem de confiança mútua, e como garantir isonomia quando políticas variam entre eventos, estúdios e países. O episódio do Indie Game Awards é um passo duro, mas inevitável, na construção de um padrão minimamente claro.

Também existe um efeito colateral para equipes pequenas, a tentação de recorrer a IA para cobrir buracos de produção. Quando a regra é explícita, a escolha deixa de ser técnica e passa a ser ética e reputacional. O recado aqui foi direto, quem cruzar essa linha, mesmo “um pouco”, corre o risco de perder não só troféus, mas a narrativa de vitória. 

No fim, o caso Clair Obscur deve acelerar uma pauta que já vinha fervendo, transparência. Prêmios e festivais terão de declarar políticas de IA com exemplos concretos, auditar amostras quando necessário e padronizar procedimentos de denúncia e revisão, para que a correção de rota não dependa da pressão da comunidade ou da viralização de uma entrevista dias depois.

Queremos ouvir você, IA deve ser vetada por completo nas premiações, ou há espaço para usos limitados e claramente rotulados, com critérios públicos desde a inscrição? 

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