Como videogames remodelam o cérebro humano segundo a ciência
A relação entre videogames e neuroplasticidade deixou de ser especulação há muito tempo. Hoje, pesquisas de psicologia e neurociência mostram que games podem modificar habilidades cognitivas e padrões de atenção de formas mensuráveis. A pergunta não é mais se o cérebro muda ao jogar, mas como essas mudanças acontecem e o que elas representam a longo prazo.
Um dos estudos mais citados nesse campo é o trabalho publicado na revista Nature por C. Shawn Green e Daphne Bavelier, intitulado “Action video game modifies visual selective attention” (2003). No artigo, os autores demonstram que jogadores de videogames de ação apresentam melhorias na atenção seletiva, capacidade de processar múltiplos estímulos e maior velocidade de resposta. Esses resultados reforçam a tese de que jogos não apenas treinam comportamentos, mas modulam áreas cerebrais envolvidas na percepção e decisão.
Outros pesquisadores ampliaram essa investigação. No Max Planck Institute for Human Development, estudos liderados por Simone Kühn observaram aumento de matéria cinzenta no hipocampo após semanas de sessões controladas com jogos tridimensionais. O hipocampo é essencial para memória, navegação espacial e consolidação de informações. Isso ajuda a explicar por que jogos com exploração 3D podem fortalecer processos cognitivos ligados à memória e orientação.
Os efeitos também aparecem no campo emocional. Pesquisas recentes investigam como jogos influenciam regulação emocional, tomada de decisão sob pressão e atenção prolongada. Essa abordagem de estímulo digital conversa diretamente com os temas trabalhados na Edição 26 da MaxRender, onde exploramos aplicações de VR na reabilitação cognitiva e o uso de tecnologia para medir atividades cerebrais. Em todos esses casos, o ponto central é o mesmo. Ambientes digitais estruturados podem ativar redes neurais específicas e apoiar processos terapêuticos e educativos.
Mesmo assim, o equilíbrio é essencial. Nem todo jogo produz efeitos positivos e exposição excessiva pode afetar sono, ansiedade e rotina. A neuroplasticidade é poderosa, mas neutra. O resultado depende do tipo de estímulo e de como ele é integrado ao cotidiano.
O que a ciência indica até agora é claro. Videogames são ambientes ricos, capazes de alterar padrões cerebrais de forma observável. Ainda há muito a ser estudado, especialmente sobre efeitos de longo prazo e diferenças entre gêneros de jogos, mas a base atual é forte o bastante para afirmar que o cérebro responde aos jogos de maneira real, adaptativa e profunda.
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