A indústria de games faturou um recorde histórico de US$ 195,6 bilhões em conteúdo vendido em 2025, o maior número da história do setor. Mesmo assim, a previsão de demissões para 2026 acaba de ser revisada para cima, e feio. O rastreador independente Satvat, que acompanha corte por corte desde 2022, elevou sua estimativa de cerca de 7.500 vagas perdidas no ano para 14.666, número que fica logo abaixo do pico histórico de 15.631 demissões registrado em 2024.
Outro levantamento, o ASGC Games Industry Layoffs Tracker, chegou a uma conta parecida, 14.259 demissões esperadas até dezembro, alta de 78% sobre a própria estimativa que esse mesmo rastreador tinha feito em janeiro. Até 11 de agosto já eram 10.140 cortes confirmados no ano, mais do que o total de 2025 inteiro, que ficou perto de 9.200. Uma pesquisa da GDC reforça o quadro por outro ângulo: 28% dos profissionais de games no mundo dizem ter sido demitidos nos últimos dois anos, e nos Estados Unidos esse número sobe para 33%, quase um em cada três.
O que intriga em olhar esses dois dados lado a lado, faturamento recorde e demissão em massa, é que a distância entre eles virou normal. A explicação de sempre, a de que o setor cresceu demais na pandemia e agora só corrige excesso, isso soa como a mesma desculpa que parou de convencer mês passado, e continua sem convencer agora com números maiores. A receita que entra pela porta da frente da indústria segue uma lógica diferente da que decide quem fica no quadro de funcionários.
Fica difícil separar o que é ajuste real de portfólio do que é decisão de curto prazo pressionada por acionista e taxa de juros. As duas coisas produzem a mesma planilha de demissão no fim do trimestre, e quem perde o emprego não recebe explicação sobre qual das duas foi a causa. O ano ainda não fechou, e os números de agosto sugerem que 2026 pode terminar como o segundo pior ano já registrado no setor.